SOBRE A RAIZPREV

PLANO COLLOR

Após trinta anos sem eleições diretas para Presidência da República, os brasileiros elegeram Fernando Collor de Mello como presidente do país, com 42% dos votos válidos. Com uma campanha repleta de promessas e trocas de acusações entre os candidatos, Collor conquistou a simpatia da população com um discurso baseado na necessidade de acabar com os altos salários recebidos por funcionários públicos, entre outras propostas de modernização.

Após tomar posse do cargo, no dia 15 de março de 1990, a primeira medida do presidente foi anunciar o Plano Collor I, que tinha como principal objetivo combater a inflação herdada dos anos anteriores. Para alcançar os objetivos, foram tomadas algumas decisões que impactaram significativamente a vida dos brasileiros. Abaixo, estão listadas algumas delas:

– Retomada do Cruzeiro como moeda nacional;

– Congelamento de preços e salários;

– Bloqueios de contas correntes e poupanças por um prazo de 18 meses;

– Demissão de funcionários e diminuição de órgãos públicos;

Apesar da estratégia ter como intuito final conter a inflação e cortar gastos desnecessários do governo, interesses de toda a população, as medidas radicais provocaram um alto índice de desemprego e insatisfação popular, gerando um estado de recessão. Estima-se que os confiscos de contas bancárias causaram bloqueio de uma quantia equivalente à, aproximadamente, oitenta bilhões de dólares, o que surpreendeu negativamente muitos trabalhadores e empresários.

Além disso, o governo Collor iniciou a privatização das estatais e à redução das tarifas alfandegárias. Com a baixa dos preços de produtos importados, a indústria nacional percebeu a necessidade de se modernizar para não perder seus consumidores. Alguns meses após o primeiro pacote econômico, foi lançado o Plano Collor II, segundo plano com o objetivo de reduzir a inflação e realizar cortes orçamentários. Novamente, as medidas geraram o descontentamento da população.

 Em 1991, a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, não suportou a pressão e se demitiu do cargo, sendo substituída por Marcílio Marques Moreira, que até o momento era embaixador do Brasil em Washington, nos Estados Unidos. Marcílio tinha como proposta liberar os preços e salários gradualmente, porém não teve bons resultados. Neste momento, surgiram diversas denúncias de corrupção da administração Collor, envolvendo ministros, amigos pessoais e a primeira dama, Rosane Collor.

O envolvimento do presidente com esquemas de corrupção foi denunciado pelo seu próprio irmão, Pedro Collor, em entrevista à revista Veja. Segundo ele, Fernando era participante direto de um esquema de corrupção montado por Paulo César Farias, que havia sido tesoureiro da campanha para presidência. A notícia teve grande repercussão entre os cidadãos brasileiros que, já insatisfeitos com a crise econômica e social, se revoltaram contra o governo.

Para investigar a participação de Collor em crimes de corrupção, foi criada a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Na tentativa de salvar o seu mandato, o presidente fez um discurso em rede nacional e pediu que os brasileiros fossem às ruas, com roupas nas cores verde e amarelo, como gesto de apoio ao governo. Revoltados, muitos brasileiros foram às ruas vestidos com roupas pretas, manifestando a insatisfação popular e exigindo o impeachment do presidente.

No dia 29 de setembro de 1992, a Câmara dos Deputados se reuniu em uma votação para decidir se Collor seria ou não afastado do cargo de presidente do Brasil. Com 441 votos a favor do afastamento e apenas 38 votos contra, foi afastado da Presidência da República, assumida pelo então vice-presidente, Itamar Franco. No dia 29 de dezembro, Fernando Collor acabou renunciando à presidência, mas o Senado seguiu com o julgamento, afastando-o do cargo e privando-o de direitos políticos por oito anos.